Perícia do INSS: Como se preparar para conseguir seu Benefício?
A perícia médica do INSS é uma das etapas mais importantes para quem solicita benefícios por incapacidade, como o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), a aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez) e, em algumas situações, o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS).
É nesse momento que o médico perito avaliará se a doença, lesão ou condição de saúde realmente impede o segurado de exercer sua atividade profissional, sendo essa análise decisiva para a concessão ou não do benefício.
No entanto, uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos segurados é justamente não saber como se preparar para a perícia.
Muitas pessoas acreditam que basta comparecer no dia agendado e apresentar um atestado médico.
Na prática, porém, a perícia do INSS exige muito mais do que isso.
Pensando nisso, preparei esse post especialmente para você!
Como Advogado Previdenciário, eu explico tudo o que você precisa sobre Perícia do INSS como se preparar para conseguir seu Benefício.
Dá só uma olhada:
Busque o auxílio de um Advogado Previdenciário.
Entenda qual é o objetivo da Perícia Médica.
Organize toda a documentação médica.
Demonstre como a doença afeta o seu trabalho.
Continue realizando o tratamento médico.
Chegue ao local com antecedência.
Vista-se normalmente.
Seja sincero durante toda a Perícia.
Guarde toda a documentação após a perícia.
Lembre-se de que a preparação começa muito antes do dia da perícia.
Então, bora ao que interessa?
Busque o auxílio de um Advogado Previdenciário.
Embora a Lei não exija que o segurado esteja acompanhado por um advogado para solicitar um benefício junto ao INSS, a orientação de um profissional especializado em Direito Previdenciário pode fazer toda a diferença na preparação para a perícia médica.
Isso porque a maioria dos segurados acredita que basta apresentar um atestado médico para conseguir o benefício.
Na prática, porém, a concessão depende do preenchimento de diversos requisitos legais, da qualidade da documentação apresentada e da forma como a incapacidade é demonstrada durante a perícia.
O advogado previdenciário conhece exatamente quais informações o INSS costuma exigir, quais documentos fortalecem o pedido e quais falhas frequentemente levam ao indeferimento do benefício.
Esse conhecimento técnico permite que o segurado compareça muito mais preparado para a avaliação.
Em outras palavras, o advogado não "garante" a concessão do benefício, afinal, a decisão depende da análise do caso concreto e da conclusão da perícia médica, mas trabalha para que o segurado apresente o seu caso da forma mais completa, organizada e tecnicamente fundamentada possível.
Por que procurar um Advogado Previdenciário antes da perícia?
Muitas pessoas somente procuram um advogado depois que o benefício já foi negado.
Embora seja possível recorrer posteriormente, o ideal é evitar que o problema aconteça.
Quando o acompanhamento jurídico ocorre antes da perícia, é possível corrigir diversas falhas que poderiam comprometer o pedido.
O Advogado Previdenciário poderá verificar, por exemplo:
se o benefício solicitado é realmente o mais adequado para o seu caso;
se você preenche os requisitos legais para a concessão;
se a documentação médica é suficiente;
se os laudos apresentam todas as informações necessárias;
se existem exames importantes que ainda precisam ser realizados;
se há necessidade de solicitar um relatório médico mais detalhado;
se existe alguma inconsistência que pode gerar dúvidas durante a perícia.
Essa análise prévia reduz significativamente o risco de o segurado comparecer à perícia com documentação incompleta ou insuficiente.
Para Ilustrar
Imagine um trabalhador da construção civil que sofreu uma grave lesão na coluna.
Ele leva ao INSS apenas um atestado dizendo:
"Paciente necessita de afastamento por 90 dias."
Embora esse documento comprove que existe um tratamento em andamento, ele praticamente não informa quais limitações o trabalhador possui.
Agora imagine a mesma situação, mas com orientação de um Advogado Previdenciário.
Antes da perícia, o profissional analisa a documentação e percebe que ela é insuficiente.
Ele orienta o segurado a solicitar ao médico assistente um relatório detalhado, contendo informações como:
diagnóstico completo;
CID da doença;
exames realizados;
limitações para permanecer em pé;
restrições para carregar peso;
dificuldade para subir escadas;
limitação para realizar movimentos repetitivos;
tempo estimado de recuperação;
justificativa técnica da incapacidade laboral.
Além disso, recomenda a organização cronológica dos exames, receitas e demais documentos médicos.
Perceba que, nesse exemplo, a doença continua sendo exatamente a mesma.
O que muda é a qualidade das informações apresentadas ao INSS.
Com uma documentação mais completa e bem organizada, o médico perito terá melhores condições de compreender a extensão das limitações e avaliar o caso de forma adequada.
Quais são os riscos de enfrentar a perícia sem orientação jurídica?
Comparecer à perícia sem qualquer orientação pode aumentar as chances de erros que comprometem a análise do benefício.
Entre os principais riscos estão:
apresentar documentação incompleta;
levar exames desatualizados;
esquecer documentos importantes;
não demonstrar corretamente as limitações para o trabalho;
solicitar um benefício incompatível com a situação do segurado;
não compreender os requisitos exigidos pela legislação;
perder prazos importantes para recursos ou novos requerimentos.
Além disso, caso o benefício seja negado, o segurado poderá enfrentar um período prolongado sem renda até conseguir reverter a decisão, seja na esfera administrativa, seja no Poder Judiciário.
Entenda qual é o objetivo da Perícia Médica.
Para se preparar adequadamente para a perícia do INSS é crucial compreender exatamente qual é o objetivo dessa avaliação.
Esse é um ponto que gera muitas dúvidas entre os segurados e, ao mesmo tempo, um dos maiores motivos de indeferimento dos benefícios por incapacidade.
É muito comum que as pessoas acreditem que a perícia médica serve apenas para confirmar a existência de uma doença.
O médico perito não está ali apenas para verificar se você possui um diagnóstico médico, mas sim para avaliar se a sua condição de saúde realmente gera incapacidade para o exercício da sua atividade profissional, nos termos da legislação previdenciária.
Essa diferença parece pequena, mas é extremamente importante.
Uma pessoa pode conviver com uma doença crônica ou uma lesão há muitos anos e, ainda assim, conseguir exercer normalmente sua profissão.
Da mesma forma, outra pessoa pode apresentar uma enfermidade considerada menos grave do ponto de vista clínico, mas que a impeça completamente de desempenhar suas funções no trabalho.
Por isso, compreender o verdadeiro objetivo da perícia é fundamental para que você saiba quais informações são realmente relevantes durante a avaliação e como deve organizar sua documentação médica.
Vamos entender isso melhor?
A perícia médica não avalia apenas a doença
Um dos erros mais frequentes é acreditar que basta apresentar um laudo contendo o diagnóstico da doença para que o benefício seja concedido.
Na prática, isso não acontece.
O médico perito analisa diversos aspectos, entre eles:
a existência da doença ou lesão;
a gravidade da condição de saúde;
o histórico clínico do segurado;
os tratamentos realizados;
a evolução da enfermidade;
as limitações físicas ou psicológicas decorrentes da doença;
a possibilidade de recuperação;
principalmente, a capacidade ou incapacidade para o exercício da atividade profissional.
Em outras palavras, o diagnóstico é apenas um dos elementos considerados durante a perícia.
O ponto central da análise será verificar se a doença realmente impede o segurado de exercer seu trabalho habitual.
O que significa incapacidade para o trabalho?
Esse é um conceito muito importante dentro do Direito Previdenciário.
A incapacidade laboral ocorre quando a condição de saúde impede o trabalhador de exercer, de forma total ou parcial, as atividades inerentes à sua profissão.
Isso significa que a análise não é feita de maneira abstrata.
O perito leva em consideração, entre outros fatores:
a profissão exercida;
as atividades desempenhadas diariamente;
os movimentos exigidos pela função;
o esforço físico necessário;
as limitações impostas pela doença.
Por esse motivo, duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem receber decisões completamente diferentes.
Tudo dependerá do impacto que aquela enfermidade produz sobre a atividade profissional de cada uma.
Cada profissão possui exigências diferentes
Para compreender melhor essa lógica, imagine duas pessoas diagnosticadas com hérnia de disco lombar.
A primeira trabalha como auxiliar de carga e descarga.
Sua rotina exige levantar peso diariamente, permanecer muitas horas em pé, carregar mercadorias e realizar movimentos repetitivos.
Já a segunda pessoa trabalha em um escritório, desempenhando funções administrativas predominantemente em ambiente informatizado.
Embora ambas possuam exatamente o mesmo diagnóstico médico, as consequências para o trabalho podem ser bastante diferentes.
No primeiro caso, a doença pode impedir completamente o exercício da atividade profissional.
No segundo, talvez seja possível continuar trabalhando com algumas adaptações ou tratamentos.
Perceba que o diagnóstico é o mesmo.
O que muda é o impacto da doença sobre as funções exercidas pelo trabalhador.
É justamente essa relação entre doença e atividade profissional que será analisada durante a perícia.
Para Ilustrar
Imagine um motorista profissional que sofreu uma grave lesão no ombro após um acidente.
Ele possui exames de ressonância magnética comprovando a lesão e leva todos os documentos ao INSS.
Durante a perícia, porém, ele limita-se a dizer:
"Tenho uma lesão no ombro."
Embora essa informação seja verdadeira, ela não explica ao médico perito como a doença interfere no exercício da profissão.
Agora imagine que esse mesmo trabalhador esclareça:
"Sou motorista de caminhão. Tenho dificuldade para girar o volante, sinto dores intensas ao realizar manobras, não consigo movimentar o braço acima da altura dos ombros, dirigir por muitas horas agrava as dores e meu médico proibiu atividades que exijam esforço com o membro lesionado."
Nesse segundo cenário, o perito consegue compreender não apenas a existência da lesão, mas também as limitações funcionais que impedem o desempenho da atividade profissional.
Esse exemplo demonstra por que entender o objetivo da perícia é tão importante para a preparação do segurado.
Quando o segurado entende o verdadeiro objetivo da perícia, suas chances de ter uma avaliação justa e compatível com sua realidade tornam-se significativamente maiores.
E por falar em documentação....
Organize toda a documentação médica.
Se existe um passo que pode fazer diferença no resultado da perícia médica do INSS, é a organização da documentação médica.
Muitos segurados acreditam que basta comparecer à perícia levando um ou dois atestados recentes.
No entanto, essa é uma das principais causas de indeferimento dos benefícios por incapacidade.
É importante compreender que o médico perito dispõe de um tempo limitado para analisar cada caso.
Por isso, quanto mais completa, organizada e consistente estiver a documentação apresentada, maiores serão as chances de o profissional compreender corretamente o histórico da doença, a evolução do quadro clínico e, principalmente, as limitações que impedem o exercício da atividade profissional.
Em outras palavras, a documentação médica funciona como um conjunto de provas.
Ela demonstra não apenas que o segurado possui uma doença, mas também que essa enfermidade vem sendo acompanhada por profissionais de saúde, exige tratamento contínuo e gera impactos concretos na capacidade de trabalho.
Por esse motivo, organizar toda a documentação médica deve ser uma prioridade para qualquer pessoa que irá passar por uma perícia no INSS.
Por que a documentação médica é tão importante na perícia do INSS?
A perícia médica não é baseada apenas no relato do segurado.
Embora seja importante explicar ao perito como a doença interfere na rotina de trabalho, a avaliação também depende das provas apresentadas.
É justamente a documentação médica que permite ao perito verificar, entre outros aspectos:
qual é o diagnóstico da doença;
quando os sintomas começaram;
qual foi a evolução do quadro clínico;
quais tratamentos já foram realizados;
quais medicamentos são utilizados;
se houve necessidade de internações ou cirurgias;
quais limitações físicas ou psicológicas foram identificadas pelo médico assistente;
qual é a expectativa de recuperação.
Quando essas informações estão bem documentadas, a análise tende a ser mais completa e segura.
Já a ausência de documentos ou a apresentação de informações incompletas pode dificultar a avaliação e comprometer o pedido do benefício.
Quais documentos médicos devem ser organizados?
Antes da perícia, reúna toda a documentação relacionada à doença ou lesão que motivou o pedido do benefício.
Quanto mais completo for o conjunto de documentos, melhor.
Entre os principais documentos que devem ser apresentados estão:
Laudos médicos
Os laudos médicos são um dos documentos mais importantes da perícia.
Eles devem informar, sempre que possível:
diagnóstico;
Código Internacional de Doenças (CID);
descrição da enfermidade;
limitações funcionais;
tratamento realizado;
prognóstico;
necessidade de afastamento do trabalho.
Quanto mais detalhado for o laudo, maior será sua utilidade para a análise do caso.
Relatórios médicos
Os relatórios elaborados pelo médico assistente costumam ser ainda mais completos do que um simples atestado.
Eles podem explicar:
histórico da doença;
evolução clínica;
resposta aos tratamentos;
exames realizados;
limitações para o trabalho;
justificativa técnica da incapacidade.
Esse tipo de documento costuma fornecer informações extremamente relevantes para a perícia.
Exames laboratoriais e exames de imagem
Sempre leve todos os exames relacionados à doença.
Entre eles:
radiografias;
tomografias;
ressonâncias magnéticas;
ultrassonografias;
eletroneuromiografias;
exames laboratoriais;
exames cardiológicos;
exames neurológicos;
exames ortopédicos.
Mesmo exames realizados há algum tempo podem ajudar a demonstrar a evolução da enfermidade.
Receitas médicas
As prescrições demonstram que existe acompanhamento médico contínuo.
Além disso, revelam:
quais medicamentos estão sendo utilizados;
doses prescritas;
tempo de tratamento.
Sempre que possível, apresente receitas atualizadas.
Prontuários médicos
Caso tenha passado por consultas, internações ou atendimentos hospitalares, solicite cópia dos prontuários.
Eles registram toda a evolução clínica do paciente e podem complementar outras provas médicas.
Relatórios de fisioterapia, psicologia e outros profissionais de saúde
Em muitos casos, não é apenas o médico que acompanha o tratamento.
Relatórios emitidos por fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e outros profissionais também ajudam a demonstrar a continuidade do tratamento e as limitações enfrentadas pelo segurado.
Embora a conclusão sobre a incapacidade seja atribuição da perícia médica, esses documentos podem complementar o conjunto probatório.
O que fazer se faltar algum documento médico?
Essa é uma dúvida muito comum.
Nem sempre o segurado consegue reunir toda a documentação antes da perícia.
Nessa situação, a primeira providência é procurar o médico responsável pelo tratamento para solicitar novos documentos, especialmente um relatório médico detalhado e atualizado.
Também é possível solicitar cópias de prontuários junto a hospitais, clínicas e unidades de saúde onde foram realizados atendimentos, exames ou internações.
Esses documentos integram o histórico médico do paciente e, em regra, podem ser fornecidos mediante solicitação.
Se houver exames pendentes ou consultas já agendadas, é recomendável informar essa situação ao advogado responsável pelo caso, que poderá avaliar a melhor estratégia conforme as circunstâncias.
Dependendo do momento processual e do tipo de benefício requerido, pode ser possível complementar a documentação posteriormente ou adotar outras medidas cabíveis.
O mais importante é não ignorar a ausência de documentos relevantes.
Quanto mais completo estiver o conjunto probatório, maiores serão as condições de o perito compreender a realidade do caso.
Para Ilustrar
Imagine uma auxiliar de enfermagem que desenvolveu uma grave lesão no ombro em razão dos movimentos repetitivos realizados durante vários anos de trabalho.
Ela comparece à perícia levando apenas um atestado que informa:
"Paciente necessita de afastamento por 60 dias."
Embora o documento seja válido, ele fornece poucas informações sobre a doença e suas consequências.
Agora imagine essa mesma trabalhadora apresentando:
relatório médico detalhado;
ressonância magnética;
exames complementares;
prontuários médicos;
receitas dos medicamentos utilizados;
relatório de fisioterapia;
laudos demonstrando limitação de movimentos;
histórico completo do tratamento.
Nesse segundo cenário, o médico perito dispõe de um conjunto muito mais robusto de informações para compreender a gravidade da lesão e avaliar como ela interfere nas atividades desempenhadas pela segurada.
Perceba que a doença é exatamente a mesma.
O que muda é a qualidade das provas apresentadas.
Demonstre como a doença afeta o seu trabalho.
Um dos pontos mais importantes de toda a perícia médica do INSS, certamente seria este: demonstrar de forma clara como a doença ou lesão interfere na sua capacidade de trabalhar.
Esse é um aspecto que muitos segurados desconhecem.
É comum pensar que basta comprovar a existência de uma doença para ter direito ao benefício previdenciário.
Entretanto, essa não é a lógica adotada pelo INSS.
Na perícia médica, o que está em análise não é apenas o diagnóstico, mas principalmente a existência de incapacidade para o trabalho.
Em outras palavras, o médico perito precisa compreender de que maneira a sua condição de saúde impede, limita ou dificulta o desempenho das atividades que fazem parte da sua profissão.
Por isso, ao se preparar para a perícia, procure responder à seguinte pergunta: de que forma a minha doença interfere no meu trabalho?
Quanto mais clara for essa resposta, maiores serão as chances de o perito compreender a realidade da sua situação.
O diagnóstico da doença, por si só, não garante o benefício
Um dos maiores equívocos cometidos pelos segurados é acreditar que o simples fato de possuir uma doença garante automaticamente o direito ao benefício por incapacidade.
Na prática, não é assim que funciona.
Existem inúmeras doenças crônicas, degenerativas ou até mesmo permanentes que não impedem o exercício da atividade profissional.
Por outro lado, há enfermidades consideradas simples que podem incapacitar completamente um trabalhador, dependendo das funções que ele desempenha.
É justamente por esse motivo que o médico perito analisa a relação entre três fatores fundamentais:
a doença ou lesão apresentada;
as limitações causadas por essa condição de saúde;
as atividades exercidas pelo segurado em sua profissão.
Somente após essa análise será possível concluir se existe ou não incapacidade laborativa.
Explique quais atividades fazem parte da sua profissão
Para avaliar corretamente a incapacidade, o médico perito precisa compreender como é o seu trabalho.
Por isso, durante a perícia, esteja preparado para explicar quais atividades você realiza diariamente.
Alguns exemplos:
Um pedreiro pode informar que precisa carregar sacos de cimento, subir escadas, permanecer muitas horas em pé, utilizar ferramentas pesadas e realizar intenso esforço físico.
Um motorista profissional pode explicar que dirige durante várias horas seguidas, realiza manobras frequentes, permanece sentado por longos períodos e precisa movimentar constantemente os membros superiores e inferiores.
Uma auxiliar de enfermagem pode relatar que levanta pacientes, permanece em pé durante praticamente todo o plantão, realiza movimentos repetitivos e trabalha em ritmo intenso.
Um professor pode explicar que passa várias horas falando, permanece de pé durante as aulas e utiliza constantemente a voz.
Essas informações ajudam o médico perito a compreender as exigências físicas e mentais da profissão.
Demonstre exatamente quais limitações a doença provoca
Depois de explicar quais atividades fazem parte do seu trabalho, o próximo passo é demonstrar quais delas deixaram de ser possíveis em razão da doença.
Essa explicação deve ser objetiva e baseada na realidade.
Você pode relatar, por exemplo:
dificuldade para levantar peso;
dores intensas ao caminhar;
incapacidade para permanecer muito tempo em pé;
limitação para permanecer sentado por longos períodos;
perda de força muscular;
redução da mobilidade;
dificuldade para subir escadas;
limitação para movimentar os braços;
crises frequentes de dor;
tonturas;
falta de equilíbrio;
perda de sensibilidade;
dificuldade de concentração;
crises de ansiedade ou depressão que comprometem o desempenho profissional.
O importante é explicar de forma concreta como essas limitações interferem na execução das tarefas do dia a dia.
Seja específico ao explicar as dificuldades
Evite respostas genéricas como:
"Estou com muita dor."
Embora essa informação seja verdadeira, ela não permite compreender o impacto da doença sobre sua atividade profissional.
Sempre que possível, detalhe melhor a situação.
Por exemplo:
"Quando permaneço mais de quinze minutos em pé, sinto dores intensas na coluna que irradiam para a perna, o que me impede de continuar trabalhando."
Ou:
"Tenho perda de força no braço direito e não consigo levantar equipamentos que fazem parte da minha rotina de trabalho."
Quanto mais objetiva for a explicação, mais fácil será para o médico perito compreender a dimensão das limitações.
A documentação médica deve confirmar aquilo que você relata
Outro aspecto muito importante é a coerência entre as informações apresentadas durante a perícia e os documentos médicos.
Imagine que o segurado afirme possuir intensa limitação para movimentar o ombro.
Se o relatório do médico assistente também descreve essa limitação e os exames demonstram a lesão correspondente, haverá maior consistência entre as provas apresentadas.
Por outro lado, quando os relatos não encontram respaldo na documentação médica, a avaliação pode se tornar mais difícil.
Por isso, antes da perícia, verifique se seus laudos e relatórios descrevem claramente as limitações decorrentes da doença, e não apenas o diagnóstico.
Para Ilustrar
Imagine dois trabalhadores que exercem a profissão de operador de máquinas e ambos possuem diagnóstico de síndrome do túnel do carpo.
O primeiro comparece à perícia e apenas informa:
"Tenho síndrome do túnel do carpo."
Já o segundo explica:
"Trabalho operando máquinas industriais durante toda a jornada. Preciso realizar movimentos repetitivos com as mãos, segurar ferramentas e acionar comandos constantemente. Após alguns minutos de atividade, sinto dormência, perda de força e dores intensas, o que dificulta o controle da máquina e compromete a execução segura do meu trabalho."
Além disso, apresenta exames, relatório do ortopedista e laudo indicando restrições para movimentos repetitivos.
Perceba a diferença.
Nos dois casos existe o mesmo diagnóstico.
Entretanto, no segundo exemplo, o médico perito consegue compreender de maneira muito mais clara como a doença interfere diretamente nas atividades profissionais do segurado.
Esse é exatamente o objetivo da perícia.
Não exagere nem minimize os sintomas
Alguns segurados acreditam que exagerar os sintomas aumentará suas chances de conseguir o benefício.
Outros, por vergonha ou nervosismo, acabam minimizando suas dificuldades.
Nenhuma dessas atitudes é recomendável.
O mais importante é relatar sua condição de forma verdadeira, objetiva e compatível com os documentos médicos apresentados.
O médico perito possui experiência na avaliação de incapacidades laborais e utilizará critérios técnicos para formar sua conclusão.
A sinceridade e a coerência entre os relatos, os exames e os laudos médicos são fatores que contribuem para uma análise mais segura.
Continue realizando o tratamento médico.
Um erro que muitos segurados cometem é acreditar que, depois de agendar a perícia médica do INSS, basta aguardar a data do atendimento.
Na prática, esse período deve ser utilizado para dar continuidade ao tratamento médico, comparecer às consultas agendadas, realizar os exames solicitados e seguir corretamente as orientações dos profissionais de saúde.
É importante compreender que a perícia médica não avalia apenas a existência de uma doença.
O médico perito também observa o histórico clínico do segurado, os tratamentos realizados, a evolução da enfermidade e os esforços empregados para recuperação da capacidade laboral.
Por isso, manter o tratamento demonstra que a doença está sendo acompanhada de forma adequada e que o segurado está comprometido com sua recuperação.
Além de contribuir para a própria saúde, essa postura fortalece o conjunto de provas que será apresentado ao INSS.
Por que é importante continuar o tratamento médico?
A continuidade do tratamento é importante por diversos motivos.
Em primeiro lugar, porque o objetivo principal deve ser sempre a recuperação da saúde do segurado.
Quanto antes houver melhora da condição clínica, maiores serão as chances de retorno seguro às atividades profissionais.
Além disso, a continuidade do tratamento produz registros médicos atualizados, que poderão ser utilizados durante a perícia para demonstrar a evolução da doença, os sintomas persistentes, os procedimentos realizados e as limitações ainda existentes.
Cada consulta realizada, cada exame solicitado e cada atendimento registrado ajudam a construir o histórico clínico do paciente.
Esse histórico permite ao médico perito compreender que não se trata de uma situação isolada ou momentânea, mas de uma condição efetivamente acompanhada por profissionais da saúde.
Quais tratamentos devem ser mantidos?
O tratamento varia conforme a doença ou lesão apresentada.
Por isso, o segurado deve seguir rigorosamente as orientações do médico responsável pelo seu acompanhamento.
Entre os tratamentos mais comuns que devem ser mantidos estão:
Consultas médicas periódicas
Continue comparecendo às consultas com o médico assistente.
Esses atendimentos permitem avaliar a evolução da doença, ajustar medicamentos, solicitar novos exames e emitir relatórios médicos atualizados.
Além disso, cada consulta gera registros importantes para o histórico clínico.
Uso correto dos medicamentos
Caso o médico tenha prescrito medicamentos, siga corretamente a orientação quanto à dosagem e aos horários de utilização.
As receitas médicas, bem como os registros de renovação das prescrições, demonstram a continuidade do tratamento.
Nunca interrompa o uso de medicamentos por conta própria apenas porque a perícia está próxima.
Qualquer alteração no tratamento deve ser realizada exclusivamente pelo médico responsável.
Fisioterapia
Nos casos de doenças ortopédicas, neurológicas ou lesões decorrentes de acidentes, a fisioterapia costuma fazer parte do tratamento.
As sessões realizadas podem gerar relatórios importantes sobre:
evolução do quadro;
limitação de movimentos;
ganho ou perda de força muscular;
persistência das dores;
capacidade funcional.
Esses documentos podem complementar a documentação médica apresentada na perícia.
Tratamento psicológico ou psiquiátrico
Quando a incapacidade decorre de doenças como depressão, transtornos de ansiedade, síndrome de burnout ou outras condições relacionadas à saúde mental, é fundamental manter o acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
Consultas regulares, evolução clínica e relatórios dos profissionais demonstram que o tratamento está sendo realizado de forma contínua.
Terapias e reabilitação
Dependendo da enfermidade, também podem fazer parte do tratamento:
terapia ocupacional;
fonoaudiologia;
reabilitação física;
acompanhamento com neurologistas;
acompanhamento com reumatologistas;
tratamento com especialistas em dor;
acompanhamento cardiológico, entre outros.
Todos esses atendimentos contribuem para documentar a evolução do quadro clínico.
O tratamento contínuo fortalece as provas do processo
Cada atendimento realizado gera novas informações sobre a condição de saúde do segurado.
Esses registros podem demonstrar:
persistência dos sintomas;
agravamento da doença;
ausência de melhora mesmo com tratamento;
necessidade de novos procedimentos;
limitações permanentes ou temporárias;
resposta aos medicamentos;
evolução clínica.
Quanto mais completo for esse histórico, maiores serão as condições de o médico perito compreender a realidade do caso.
Para Ilustrar
Imagine um trabalhador que sofreu uma grave lesão no joelho após um acidente de trabalho.
Após o afastamento, ele realiza apenas uma consulta médica e decide aguardar a perícia do INSS sem retornar ao ortopedista, sem fazer fisioterapia e sem realizar os exames solicitados.
Quando comparece ao INSS, apresenta apenas um laudo emitido meses antes da perícia.
Agora imagine outro trabalhador com a mesma lesão.
Durante o período de espera pela perícia, ele continua realizando consultas periódicas, faz sessões de fisioterapia, realiza uma nova ressonância magnética, utiliza corretamente os medicamentos prescritos e solicita ao médico assistente um relatório atualizado descrevendo a evolução do tratamento e as limitações funcionais ainda existentes.
Nesse segundo cenário, o médico perito terá acesso a informações muito mais recentes e completas sobre a condição clínica do segurado.
Isso permite uma análise mais consistente da incapacidade laboral, pois a documentação demonstra que a doença continua sendo acompanhada, que o tratamento está em andamento e quais são os resultados obtidos até aquele momento.
Perceba que, nos dois exemplos, a lesão inicial é a mesma.
A diferença está na qualidade das provas médicas produzidas ao longo do tratamento.
Chegue ao local com antecedência.
Entre todas as orientações para quem vai passar por uma perícia médica no INSS, uma das mais simples, e, ao mesmo tempo, uma das mais importantes, é chegar ao local do atendimento com antecedência.
Pode parecer apenas um detalhe de organização, mas o atraso pode trazer consequências sérias para o segurado.
Em alguns casos, ele pode até resultar na perda do atendimento, obrigando o interessado a reagendar a perícia ou a adotar outras providências administrativas, o que pode atrasar ainda mais a análise do benefício.
Além disso, chegar com antecedência permite que o segurado se apresente de forma mais tranquila, organize seus documentos e reduza o estresse natural que costuma anteceder esse tipo de avaliação.
Lembre-se de que a perícia médica é uma etapa decisiva para a concessão do benefício.
Por isso, todo cuidado é importante, inclusive o planejamento do horário de chegada.
Por que é importante chegar com antecedência?
A antecedência evita diversos problemas que podem comprometer o atendimento.
No dia da perícia podem ocorrer situações imprevistas, como:
congestionamentos no trânsito;
atraso no transporte público;
dificuldade para estacionar o veículo;
necessidade de localizar a agência do INSS;
filas na recepção;
conferência de documentos;
procedimentos de identificação.
Quando o segurado chega em cima do horário marcado, qualquer pequeno imprevisto pode resultar em atraso.
Já quem chega com antecedência possui uma margem de segurança para lidar com essas situações sem comprometer o atendimento.
Além disso, esse tempo permite conferir toda a documentação antes de entrar na sala da perícia, evitando perceber a ausência de algum documento importante apenas no momento da avaliação.
Quanto tempo antes devo chegar à perícia?
Como regra geral, recomenda-se chegar ao local da perícia entre 30 e 60 minutos antes do horário agendado.
Esse intervalo costuma ser suficiente para:
localizar a unidade do INSS;
realizar o atendimento na recepção, quando necessário;
apresentar documento de identificação;
organizar os exames e laudos médicos;
utilizar o banheiro, se necessário;
aguardar o chamado com tranquilidade.
Se a agência estiver localizada em uma cidade diferente da sua residência ou em uma região com trânsito intenso, vale a pena sair ainda mais cedo, considerando eventuais imprevistos durante o deslocamento.
O objetivo não é permanecer horas aguardando atendimento, mas garantir que você esteja presente e preparado quando chegar o momento da perícia.
Planeje o trajeto com antecedência
Outro cuidado importante é conhecer previamente o local onde será realizada a perícia.
Se possível, verifique:
o endereço completo da agência;
o tempo estimado de deslocamento;
as condições do trânsito no horário previsto;
as opções de transporte disponíveis;
a existência de estacionamento próximo, caso utilize veículo próprio.
Atualmente, aplicativos de navegação permitem estimar o tempo de viagem de acordo com o trânsito em tempo real.
Utilizar essas ferramentas pode ajudar a evitar atrasos desnecessários.
Se você depende de transporte público, também é recomendável verificar os horários dos ônibus, metrôs ou trens e considerar possíveis atrasos.
Para Ilustrar
Imagine dois segurados que possuem perícia agendada para às 9 horas da manhã.
O primeiro decide sair de casa com pouco tempo de antecedência.
No caminho, enfrenta um congestionamento inesperado, demora para encontrar estacionamento e chega à agência após o horário previsto.
Além do desgaste emocional, ele corre o risco de não conseguir realizar a perícia naquele dia, o que poderá atrasar significativamente a análise do seu benefício.
Agora imagine outro segurado.
Ele verifica o endereço da agência com antecedência, calcula o tempo de deslocamento considerando o trânsito, separa toda a documentação na noite anterior e chega ao local aproximadamente 40 minutos antes do horário agendado.
Enquanto aguarda, revisa seus documentos, organiza os exames e permanece tranquilo até ser chamado.
Perceba que a diferença entre os dois casos não está relacionada à doença ou às provas médicas apresentadas, mas ao planejamento.
Uma simples atitude, como sair de casa mais cedo, pode evitar transtornos desnecessários e garantir que a perícia ocorra conforme o previsto.
Vista-se normalmente.
Quando se aproxima o dia da perícia médica do INSS, é comum que o segurado tenha dúvidas sobre como deve se vestir.
Algumas pessoas acreditam que precisam usar roupas muito simples para transmitir a imagem de alguém doente.
Outras pensam exatamente o contrário e escolhem roupas mais formais para causar uma boa impressão.
A verdade é que nenhuma dessas estratégias é recomendável.
O melhor caminho é comparecer à perícia utilizando roupas comuns, confortáveis e compatíveis com a sua rotina.
O mais importante não é a roupa que você veste, mas sim a documentação médica apresentada, a existência de incapacidade para o trabalho e a coerência entre o seu estado de saúde, seus relatos e as provas constantes do processo.
A perícia médica é um procedimento técnico.
O médico perito não deve basear sua conclusão na aparência do segurado, mas sim na análise clínica, nos documentos apresentados e na avaliação da capacidade laboral.
Ainda assim, escolher uma vestimenta adequada contribui para que o atendimento ocorra de forma tranquila e sem situações que possam dificultar a avaliação.
Por que é importante vestir-se normalmente?
A orientação para vestir-se normalmente tem um objetivo muito simples: demonstrar naturalidade.
Infelizmente, ainda existem muitos mitos sobre a perícia do INSS.
Alguns segurados acreditam que precisam aparentar um estado de saúde pior do que realmente possuem para conseguir o benefício.
Outros tentam esconder suas limitações por vergonha ou receio de serem julgados.
Nenhuma dessas atitudes é recomendável.
O comportamento mais adequado é agir exatamente como você faz no seu dia a dia, respeitando as limitações impostas pela sua condição de saúde.
Vestir-se normalmente demonstra espontaneidade e evita que o segurado fique preocupado em representar uma situação diferente da realidade.
Além disso, roupas confortáveis facilitam a realização de eventuais exames físicos durante a perícia.
Quais roupas são mais indicadas?
A melhor escolha é utilizar roupas simples, confortáveis e adequadas ao clima do dia.
Alguns exemplos incluem:
calça confortável;
camiseta;
camisa casual;
bermuda, quando compatível com o clima e adequada à situação;
tênis ou calçados confortáveis;
roupas que permitam movimentação com facilidade.
O objetivo é apenas comparecer de maneira natural, sem exageros.
Se a doença envolve problemas ortopédicos, como lesões nos joelhos, ombros, coluna ou membros superiores e inferiores, roupas que facilitem a realização do exame físico podem ser ainda mais adequadas.
Por exemplo, uma camiseta de manga curta pode facilitar a avaliação de uma limitação no ombro, enquanto uma calça que permita examinar facilmente o joelho pode tornar o procedimento mais prático.
Quais roupas devem ser evitadas?
Embora não exista uma regra específica sobre vestimenta para a perícia médica do INSS, algumas escolhas podem não ser as mais adequadas.
Procure evitar:
roupas excessivamente apertadas que dificultem os movimentos ou o exame físico;
peças que dificultem a avaliação da região do corpo afetada pela doença;
acessórios em excesso que possam atrapalhar o atendimento;
roupas desconfortáveis que dificultem sua locomoção.
Também não é recomendável escolher roupas com o objetivo de causar determinada impressão no médico perito, seja aparentando uma condição mais grave do que a real, seja tentando transmitir uma imagem incompatível com sua rotina.
A autenticidade continua sendo a melhor postura.
O conforto também facilita a realização do exame físico
Em diversas perícias, o médico poderá solicitar que o segurado realize determinados movimentos para avaliar a amplitude articular, a força muscular, a mobilidade ou outras condições relacionadas à doença.
Roupas confortáveis tornam esse procedimento mais simples.
Imagine, por exemplo, um trabalhador com lesão no ombro utilizando uma camisa extremamente apertada que dificulta qualquer movimentação durante o exame.
Ou uma pessoa com problema no joelho vestindo roupas que tornam difícil a avaliação da articulação.
Essas situações podem gerar desconforto desnecessário tanto para o segurado quanto para o médico perito.
Para Ilustrar
Imagine dois segurados com a mesma lesão na coluna.
O primeiro acredita que precisa convencer o médico de que está incapacitado e comparece utilizando diversos acessórios que normalmente não faz parte da sua rotina, exagerando suas dificuldades de locomoção durante todo o atendimento.
O segundo comparece utilizando roupas confortáveis, leva toda a documentação médica organizada, responde às perguntas com sinceridade e realiza apenas os movimentos que consegue executar, respeitando suas limitações reais.
Embora ambos apresentem a mesma doença, a postura do segundo segurado transmite maior naturalidade e coerência entre seus relatos, os documentos médicos e a avaliação clínica realizada pelo perito.
Na perícia do INSS, a credibilidade é construída pela consistência das provas e pela honestidade das informações apresentadas, e não pela aparência.
Seja sincero durante toda a Perícia.
Se eu pudesse dar apenas um conselho para quem vai passar pela perícia médica do INSS, seria este: seja absolutamente sincero durante todo o atendimento.
A sinceridade é um dos pilares de uma boa perícia.
Muitas pessoas chegam ao INSS extremamente nervosas e acabam adotando comportamentos que podem prejudicar a própria avaliação.
Algumas exageram os sintomas acreditando que isso aumentará as chances de conseguir o benefício.
Outras, por vergonha ou receio de parecerem frágeis, minimizam suas dificuldades e acabam transmitindo ao médico perito uma realidade diferente daquela que realmente vivem.
Nenhuma dessas atitudes é recomendável.
O melhor caminho é relatar exatamente como a doença afeta sua vida e sua capacidade de trabalho, sem exageros, sem omissões e sem tentar convencer o perito por meio de dramatizações.
A perícia médica é um procedimento técnico, fundamentado na análise dos documentos médicos, no exame clínico e nas informações prestadas pelo segurado.
Quando existe coerência entre os documentos, o histórico médico e os relatos apresentados durante a perícia, o médico perito possui melhores condições de compreender a realidade do caso e realizar uma avaliação adequada.
Por que a sinceridade é tão importante?
O médico perito está acostumado a realizar avaliações diariamente.
Sua função é verificar se a doença ou lesão realmente gera incapacidade para o exercício da atividade profissional.
Para isso, ele analisa diversos elementos, como:
laudos médicos;
exames;
relatórios do médico assistente;
histórico do tratamento;
exame físico;
respostas fornecidas pelo segurado durante a entrevista pericial.
Quando todas essas informações são compatíveis entre si, a avaliação tende a ser mais consistente.
Por outro lado, informações contraditórias ou incompatíveis com os documentos apresentados podem dificultar a análise da incapacidade.
Como ser sincero durante a perícia?
Ser sincero significa responder exatamente aquilo que lhe for perguntado, descrevendo sua condição de saúde de forma objetiva e verdadeira.
Explique:
quais sintomas você apresenta;
quando eles surgiram;
quais tratamentos já realizou;
quais medicamentos utiliza;
quais limitações enfrenta no dia a dia;
de que forma essas limitações interferem no exercício da sua profissão.
Sempre procure relacionar a doença com sua atividade profissional.
Por exemplo, em vez de dizer apenas:
"Tenho dores na coluna."
Explique:
"Sou auxiliar de serviços gerais e preciso permanecer muitas horas em pé. Após cerca de vinte minutos de trabalho, as dores aumentam significativamente, dificultando a realização das minhas atividades e obrigando-me a interromper o serviço."
Essa forma de responder fornece ao médico perito informações muito mais úteis para a avaliação da incapacidade.
Não exagere os sintomas
Um dos maiores erros cometidos por alguns segurados é acreditar que dramatizar a situação aumentará as chances de obter o benefício.
Essa estratégia não é recomendável.
O médico perito possui conhecimento técnico e experiência para analisar a compatibilidade entre os sintomas relatados, os exames apresentados e o quadro clínico observado durante a avaliação.
Se houver discrepâncias relevantes entre essas informações, a análise poderá se tornar mais difícil.
Portanto, não invente sintomas, não aumente a intensidade das dores e não afirme possuir limitações que não existem.
A verdade sempre é o melhor caminho.
Também não esconda suas dificuldades
O erro oposto também é bastante comum.
Alguns segurados respondem automaticamente que "está tudo bem", mesmo convivendo diariamente com dores intensas ou limitações importantes.
Isso costuma ocorrer por vergonha, nervosismo ou pelo hábito de minimizar o próprio sofrimento.
Durante a perícia, entretanto, é importante explicar exatamente quais dificuldades você enfrenta.
Se não consegue levantar peso, diga isso.
Se sente dores ao caminhar, informe essa limitação.
Se não consegue permanecer sentado durante longos períodos, explique essa situação.
O médico perito precisa conhecer a realidade do seu quadro clínico para realizar uma avaliação correta.
Responda apenas ao que for perguntado
Outro comportamento recomendado é responder às perguntas de forma clara, objetiva e direta.
Não é necessário elaborar longos discursos nem antecipar respostas para perguntas que ainda não foram feitas.
O médico conduzirá a entrevista conforme as informações necessárias para a avaliação.
Sempre que solicitado, explique os fatos com tranquilidade e objetividade.
Caso não compreenda alguma pergunta, peça que ela seja repetida ou esclarecida.
O que não deve ser falado durante a perícia?
Embora o segurado deva responder com sinceridade, algumas atitudes podem dificultar a condução do atendimento.
Evite, por exemplo:
inventar sintomas que não existem;
aumentar a intensidade das limitações além da realidade;
apresentar informações contraditórias em relação aos documentos médicos;
discutir ou confrontar o médico perito;
utilizar informações falsas sobre tratamentos ou exames;
responder de forma agressiva ou desrespeitosa;
tentar convencer o perito com argumentos emocionais em vez de explicar objetivamente suas limitações.
Também não é recomendável decorar frases prontas encontradas na internet ou repetir orientações de terceiros que não conhecem seu caso específico.
A coerência entre seus relatos e os documentos médicos faz diferença
Durante a perícia, procure manter coerência entre aquilo que você relata e o que consta nos documentos médicos apresentados.
Imagine que o segurado informe sentir dores intensas ao movimentar o ombro.
Se os exames demonstram uma lesão nessa articulação e o relatório do ortopedista descreve limitação de movimentos, existe compatibilidade entre as informações.
Por outro lado, se o segurado relata sintomas completamente diferentes daqueles registrados nos documentos médicos, o perito poderá ter dificuldade para compreender o quadro clínico.
Por isso, antes da perícia, releia seus laudos e relatórios médicos para recordar exatamente quais informações constam nesses documentos.
Para Ilustrar
Imagine um trabalhador da construção civil que sofre de artrose avançada nos joelhos.
Durante a perícia, o primeiro segurado afirma:
"Não consigo fazer absolutamente nada."
No entanto, seus exames mostram apenas limitação parcial dos movimentos, e os relatórios médicos indicam dificuldade para atividades que exigem esforço físico intenso.
Agora imagine um segundo trabalhador na mesma situação.
Ele explica ao perito:
"Tenho dificuldades para subir escadas, permanecer muito tempo em pé, carregar peso e agachar repetidamente.
Essas atividades fazem parte da minha rotina como pedreiro e, atualmente, não consigo executá-las sem sentir dores intensas."
Além disso, apresenta exames e relatórios médicos que confirmam essas limitações.
Perceba que, no segundo exemplo, existe coerência entre os documentos médicos, a profissão exercida e as informações fornecidas durante a perícia.
Essa consistência facilita a compreensão do caso pelo médico perito.
Guarde toda a documentação após a Perícia.
Muitas pessoas acreditam que, depois da realização da perícia médica do INSS, já podem descartar exames, laudos, receitas e demais documentos relacionados ao tratamento.
Esse é um erro bastante comum e que pode trazer sérios prejuízos caso seja necessário recorrer da decisão do INSS ou apresentar um novo pedido de benefício.
Independentemente do resultado da perícia, seja o benefício concedido, negado ou concedido por período inferior ao esperado, a recomendação é a mesma: guarde toda a documentação médica e administrativa relacionada ao seu caso.
Esses documentos representam o histórico completo da sua condição de saúde e poderão ser fundamentais para demonstrar a evolução da doença, comprovar tratamentos realizados e defender seus direitos em futuras análises administrativas ou judiciais.
Lembre-se de que a perícia não encerra, necessariamente, a relação do segurado com o INSS.
Em muitos casos, pode haver necessidade de prorrogação do benefício, apresentação de recurso administrativo, novo requerimento ou até mesmo o ajuizamento de uma ação judicial.
Por isso, preservar toda a documentação é uma medida simples, mas extremamente importante.
Por que é importante guardar todos os documentos?
A documentação médica constitui a principal prova da evolução da doença e da incapacidade para o trabalho.
Mesmo após a realização da perícia, novos acontecimentos podem surgir, como:
necessidade de solicitar a prorrogação do benefício;
realização de nova perícia médica;
apresentação de recurso administrativo;
ajuizamento de ação judicial;
agravamento da doença;
surgimento de novas limitações;
convocação para revisão do benefício pelo INSS.
Em qualquer uma dessas situações, os documentos anteriormente produzidos poderão ser utilizados para demonstrar o histórico clínico do segurado.
Quanto mais completo for esse histórico, maiores serão as condições de comprovar a evolução da enfermidade e a continuidade da incapacidade laboral.
Quais documentos devem ser guardados?
A orientação é bastante simples: guarde todos os documentos relacionados ao tratamento e ao pedido do benefício.
Entre eles, destacam-se:
Documentos médicos
laudos médicos;
relatórios médicos;
atestados;
receitas;
exames laboratoriais;
exames de imagem;
prontuários médicos;
relatórios de fisioterapia;
relatórios psicológicos;
relatórios psiquiátricos;
documentos de internações;
pedidos de exames;
encaminhamentos médicos.
Mesmo documentos antigos podem ser importantes para demonstrar a evolução da doença ao longo do tempo.
Também é importante guardar toda a documentação relacionada ao processo administrativo.
Por exemplo:
comprovante do requerimento do benefício;
comprovante de agendamento da perícia;
número do protocolo;
decisões administrativas;
carta de concessão, quando houver;
carta de indeferimento;
comunicação do resultado da perícia;
comprovantes de recursos administrativos.
Esses documentos poderão ser necessários em futuras discussões perante o próprio INSS ou perante o Poder Judiciário.
Comprovantes de tratamento
Sempre que possível, mantenha organizados também:
comprovantes de consultas;
comprovantes de sessões de fisioterapia;
comprovantes de psicoterapia;
comprovantes de tratamentos especializados;
comprovantes de cirurgias;
documentos referentes à reabilitação.
Esses registros ajudam a demonstrar que o tratamento foi realizado de forma contínua.
Como organizar essa documentação?
A melhor forma é criar uma pasta exclusiva para documentos relacionados ao benefício previdenciário.
Se possível, organize os documentos por categorias, como:
exames;
laudos;
receitas;
relatórios médicos;
documentos do INSS;
comprovantes de tratamento.
Outra boa prática é manter cópias digitais desses documentos.
Fotografar ou digitalizar laudos, exames e decisões administrativas reduz o risco de perda das informações e facilita o acesso quando necessário.
O que pode acontecer se os documentos não forem guardados?
Descartar documentos médicos pode dificultar significativamente a defesa dos direitos do segurado.
Imagine, por exemplo, que o benefício seja negado e seja necessário apresentar um recurso administrativo.
Se o segurado não possuir mais os laudos, exames e relatórios utilizados na primeira perícia, poderá enfrentar dificuldades para reconstruir todo o histórico clínico.
Situação semelhante pode ocorrer em uma ação judicial.
Embora seja possível obter novos documentos junto aos profissionais de saúde, nem sempre todos os registros antigos estarão disponíveis ou poderão ser reproduzidos com o mesmo nível de detalhamento.
Além disso, algumas doenças evoluem ao longo do tempo.
Sem a documentação anterior, torna-se mais difícil demonstrar quando os sintomas começaram, como ocorreu a evolução da enfermidade e quais tratamentos foram realizados.
Por isso, nunca descarte documentos relacionados à sua condição de saúde ou ao benefício previdenciário.
Para Ilustrar
Imagine um trabalhador que recebe auxílio por incapacidade temporária durante alguns meses.
Ao acreditar que o problema foi resolvido, ele descarta todos os exames, laudos e relatórios médicos utilizados na perícia.
Algum tempo depois, a doença se agrava e ele precisa solicitar um novo benefício.
Durante a análise do pedido, torna-se importante demonstrar que a enfermidade já existia anteriormente, quais tratamentos foram realizados e como ocorreu sua evolução.
Como os documentos foram descartados, o segurado encontra dificuldades para reconstruir esse histórico.
Agora imagine outro trabalhador na mesma situação.
Ele mantém organizados todos os exames, laudos médicos, receitas, relatórios de fisioterapia, decisões do INSS e documentos administrativos.
Quando precisa formular um novo pedido, consegue apresentar toda a evolução da doença, demonstrando de forma clara a continuidade do tratamento e das limitações funcionais.
Essa organização facilita tanto a análise administrativa quanto uma eventual discussão judicial.
Conclusão
Prontinho.
Você chegou ao fim desse post e viu que a perícia médica do INSS é uma das etapas mais importantes para quem busca a concessão de um benefício por incapacidade.
É nesse momento que será analisado se a doença ou lesão realmente compromete a capacidade de exercer a atividade profissional, razão pela qual a preparação não deve ser encarada como um simples detalhe, mas como uma etapa essencial de todo o processo.
Ao longo deste artigo, vimos que uma boa preparação envolve muito mais do que comparecer à agência do INSS no dia e horário marcados.
Felizmente, agora você já sabe Perícia do INSS como se preparar para conseguir seu Benefício.
Como Advogado Previdenciário, só aqui eu mostrei:
Busque o auxílio de um Advogado Previdenciário
Entenda qual é o objetivo da Perícia Médica
Organize toda a documentação médica
Demonstre como a doença afeta o seu trabalho
Continue realizando o tratamento médico
Chegue ao local com antecedência
Vista-se normalmente
Seja sincero durante toda a Perícia
Guarde toda a documentação após a perícia
Com informação de qualidade, documentação adequada e o acompanhamento de um Advogado Previdenciário, você estará muito mais preparado para defender seus direitos e buscar o benefício a que eventualmente faça jus perante o INSS.
Leia também:
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Auxílio- Doença e Auxílio- Doença Acidentário: Entenda as diferenças.
Cada situação possui características próprias e merece uma análise individualizada.
Até o próximo conteúdo