Outubro Rosa: mulher com câncer pode ter direito a benefícios do INSS?
O Outubro Rosa é um mês de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Mas esse também é um momento importante para falar sobre os direitos das mulheres que enfrentam a doença.
Além das preocupações com exames, tratamento, cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, muitas mulheres precisam lidar com outra questão: como ficará a renda se eu não conseguir continuar trabalhando durante o tratamento?
Dependendo da situação, a mulher com câncer pode ter direito a benefícios pagos pelo INSS. Porém, é importante esclarecer desde o início: o diagnóstico de câncer, sozinho, não garante automaticamente a concessão de um benefício previdenciário.
É necessário analisar a situação da segurada, sua capacidade para o trabalho e os requisitos de cada benefício.
Mulher com câncer pode receber auxílio por incapacidade temporária?
Sim, desde que estejam preenchidos os requisitos.
O antigo auxílio-doença, atualmente chamado de auxílio por incapacidade temporária, é destinado à pessoa que esteja temporariamente incapaz para o trabalho ou para sua atividade habitual por período superior a 15 dias.
No caso de uma mulher em tratamento contra o câncer, essa incapacidade pode decorrer da própria doença ou das consequências do tratamento.
Cirurgias, quimioterapia, radioterapia, dores, limitações físicas e outros efeitos podem, dependendo do quadro clínico e da atividade profissional exercida, impedir temporariamente o retorno ao trabalho.
Por isso, o INSS não deve analisar apenas o nome da doença. É necessário avaliar como aquela condição afeta concretamente a capacidade profissional da segurada.
Câncer pode dispensar a carência do benefício?
Existe uma regra muito importante.
A neoplasia maligna está entre as doenças que podem gerar isenção da carência para benefícios por incapacidade, observados os requisitos legais, inclusive a condição de segurada e as regras aplicáveis ao momento em que surgiu a doença/incapacidade.
A avaliação cabe ao INSS e à Perícia Médica Federal.
Isso não significa que qualquer pessoa diagnosticada com câncer receberá automaticamente o benefício.
A incapacidade para o trabalho ainda precisa ser demonstrada.
Mulher com câncer pode ter direito à aposentadoria por incapacidade permanente?
Em determinados casos, sim.
A aposentadoria por incapacidade permanente, conhecida anteriormente como aposentadoria por invalidez, é destinada ao segurado considerado permanentemente incapaz para o trabalho e que não possa ser reabilitado para outra atividade que lhe garanta subsistência.
Portanto, novamente, o diagnóstico de câncer não significa aposentadoria automática.
Uma mulher pode realizar o tratamento e posteriormente retornar normalmente ao trabalho.
Outra pode permanecer temporariamente afastada.
Em situações mais graves, entretanto, podem existir limitações permanentes que impeçam o retorno ao trabalho e também impossibilitem a reabilitação profissional.
É essa realidade individual que deverá ser analisada.
A mulher aposentada por incapacidade pode receber adicional de 25%?
Existe ainda um direito pouco conhecido.
A pessoa que recebe aposentadoria por incapacidade permanente e necessita da assistência permanente de outra pessoa, nas condições previstas na legislação, pode solicitar um acréscimo de 25% sobre o benefício.
O INSS informa que esse adicional também incide sobre o 13º salário e depende de avaliação médico-pericial.
Portanto, não é um adicional concedido simplesmente pelo diagnóstico de câncer.
É necessário demonstrar a necessidade de assistência permanente de terceiro.
Mulher com câncer que nunca contribuiu para o INSS pode receber algum benefício?
Essa é outra dúvida muito comum.
Em determinadas circunstâncias, pode existir possibilidade de concessão do Benefício de Prestação Continuada, o BPC/LOAS.
O BPC não é aposentadoria e não exige contribuição anterior ao INSS.
Ele garante um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência que preencha os requisitos legais e socioeconômicos. Pelas informações oficiais do INSS, o benefício não paga 13º salário e não gera pensão por morte.
Ter câncer significa ser automaticamente considerada pessoa com deficiência para o BPC?
Não.
É necessário verificar se a condição de saúde produz impedimento que permita o enquadramento jurídico como pessoa com deficiência para essa finalidade, além dos demais requisitos do benefício.
Também existe avaliação da situação socioeconômica.
Portanto, novamente, é preciso analisar individualmente a situação da mulher.
O tratamento contra o câncer pode justificar o afastamento mesmo que a mulher queira continuar trabalhando?
O ponto central não é simplesmente ter ou não vontade de trabalhar.
A questão é saber se existe capacidade para exercer a atividade profissional naquele momento.
Uma mulher pode, por exemplo, realizar determinada atividade administrativa e permanecer apta ao trabalho durante parte do tratamento.
Outra pode exercer atividade que exige esforço físico intenso e apresentar limitações incompatíveis com suas funções.
Até mesmo duas mulheres com o mesmo diagnóstico podem ter consequências profissionais completamente diferentes.
Por isso, a documentação médica deve explicar não apenas a doença, mas também as limitações provocadas por ela e pelo tratamento.
Quais documentos podem ser importantes para pedir benefício ao INSS?
Relatórios médicos, exames, laudos, receitas e documentos referentes ao tratamento são fundamentais.
No relatório médico, é importante que estejam claras as informações clínicas pertinentes, o tratamento realizado ou previsto e as limitações existentes.
Nos benefícios por incapacidade, a análise deve demonstrar justamente por que a pessoa não consegue exercer sua atividade habitual.
O pedido do auxílio por incapacidade temporária pode ser iniciado pelo Meu INSS. Durante a análise, o segurado poderá ser chamado para perícia médica, e existem situações em que o requerimento pode tramitar mediante análise documental. Serviços e Informações do Brasil
E se o INSS negar o benefício da mulher com câncer?
A negativa não significa necessariamente que o caso terminou.
Primeiro, é importante descobrir o motivo do indeferimento.
Pode existir discussão sobre qualidade de segurada, incapacidade, documentação médica, requisitos do BPC ou outros aspectos previdenciários.
A partir disso, é possível avaliar as medidas cabíveis na esfera administrativa ou judicial.
Por isso, principalmente diante de uma negativa, a orientação de um advogado que atue em Direito Previdenciário pode ser importante para analisar o histórico contributivo, a documentação médica e o benefício adequado para aquela situação.
Outubro Rosa também é informação sobre direitos
A conscientização promovida pelo Outubro Rosa vai além de lembrar a importância dos exames e do diagnóstico precoce.
A mulher que enfrenta um câncer também precisa de informação para atravessar um período que pode provocar mudanças profundas em sua vida pessoal, profissional e financeira.
Auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por incapacidade permanente, adicional de 25% em situações específicas e BPC/LOAS são direitos diferentes e possuem requisitos próprios. Não existe benefício automático apenas pelo diagnóstico de câncer.
Por isso, cada caso precisa ser analisado individualmente.
Conhecer esses direitos pode ajudar a mulher e sua família a buscar a proteção previdenciária ou assistencial adequada justamente em um momento no qual a prioridade deve estar no tratamento e na recuperação da saúde.